quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mais números em 2010

Quase três mil crianças MALTRATADAS


A larga maioria das sinalizações pelos centros de acção de saúde refere-se a situações de negligência, incluindo abandono. Zona da Grande Lisboa e Norte registam mais casos

Quase três mil crianças vítimas de maus tratos foram sinalizadas pelos Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco em apenas seis meses. A grande maioria dos casos refere-se a negligência, incluindo o abandono, mas também há maus tratos físicos e psicológicos e situações de abuso sexual. Muitas das crianças sinalizadas eram alvo de mais do que um tipo de agressão.

Os dados foram apresentados ontem, Dia Mundial da Criança. Números que mostram uma realidade triste, quando se devia celebrar a alegria da chamada “idade da inocência”. No último semestre de 2009 foram registados 2815 casos de maus tratos sinalizados nos núcleos criados nos hospitais com atendimento pediátrico e nas unidades locais de saúde.
De acordo com o relatório intercalar da Comissão de Acompanhamento da Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco, 72 por cento das situações sinalizadas referiam-se a negligência, 9 por cento a maus tratos físicos, 7 por cento abusos sexuais e 12 por cento a maus tratos psicológicos. Os números são semelhantes a registados em períodos anteriores, refere o relatório apresentado no Hospital Amadora-Sintra.

“Isto mostra a importância do problema dos maus tratos, a implicação que frequentemente tem na vida dos jovens e também a dimensão da questão. Os profissionais estão mais sensibilizados e articulados para detectar situações que antes passariam despercebidas. As situações de negligência estão a ser mais sinalizadas”, explicou ao 24horas Vasco Prazeres, coordenador da comissão.

Facto que vem assinalado no relatório, que destaca a “predominância acentuada de casos de negligência” por todo o País, com percentagens que variam entre os 62 por cento na Administração Regional de Saúde do Algarve e 77 por cento na do Norte. “As equipas estão mais acutilantes na detecção de sinais de risco e situações de maus tratos”, reforçou o responsável.

Mais casos registados em Lisboa e no Norte:

Dos casos identificados, 45 por cento foram acompanhados pelos núcleos, mas outros tantos acabaram por ser encaminhados para outras entidades, como a Comissão de Protecção de Menores ou para o Ministério Público e tribunais. Grande parte das sinalizações foi registada nas áreas de influência das Administrações de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e Norte.

“Os dados reflectem os locais onde há mais equipas a trabalhar no terreno. Esses dados estão mais ou menos em consonância com a avaliação feita em 2008 e no primeiro semestre de 2009″, referiu Vasco Prazeres, explicando que a maioria dos casos são sinalizados nos centros de saúde, “onde o volume de atendimento é maior e há mais núcleos”.

Os dados ontem apresentados podem ser uma franja da realidade. Dessa, só se espera ter um espelho mais completo em 2011 de uma aplicação informática que vai facilitar a recolha e o tratamento da informação. “Os núcleos irão gerar e gerir a informação epidemiológica do fenómeno, o tipo mais frequente de maus tratos, onde se registam mais”.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cadáver de bebé encontrado junto à ribeira do Jamor

Populares encontraram, este domingo, o cadáver de um bebé junto à ribeira do Jamor, na Cruz Quebrada (Oeiras), dento de um saco de hipermercado.

Segundo a edição online do Jornal de Notícias, o corpo do recém-nascido foi descoberto pelas 14,30 h, tendo sido de imediato dado o alerta.

Este é já o segundo caso na mesma semana de recém-nascidos encontrados na zona de Lisboa. Sexta-feira, um outro bebé ainda com sangue foi encontrado, este com vida, junto a um contentor de lixo em Cascais, permanecendo internado.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A minha história de vida

Nasci numa familia pobre, com graves problemas financeiros e desde cedo soube o que era sofrer.
Fui abandonado á nascença pela minha mãe, pois ela dizia não ter condições para me criar.
Mais tarde fui entregue ao meu pai e a uma mulher que dizia ser a companheira dele, e a partir dessa altura começou o inferno para mim.

Como todos nós sabemos, é normal que uma criança pequena faça o tal "chichi na cama"... mas o que é certo é que a minha "madrasta" não achava muita piada a isso...
Começou por me dar pontapés, atirava-me contra a parede, pisava-me quando eu estava caído no chão e, como se já não bastasse tudo isto, ainda me batia com a fivela do cinto no pescoço...

Quando ela saía de casa deixava-me fechado a sete chaves, no meio da escuridão com o objectivo de meter medo, mas o que ela não sabia é que ao fazer isso ainda eu ficava pior...
Não saía muitas vezes de casa, por isso não sabia bem o que era, por exemplo, um carro, uma árvore...

Cheguei a ser posto fora de casa em plena noite, tudo por causa do tal "chichi na cama"... e não passei muito bem a noite, pois estava bastante frio...

Até que um dia o meu inferno acabou, tudo graças a uma vizinha que se fartou de ver e ouvir os maus tratos e fez queixa na polícia...
O tribunal foi lá a casa, conjuntamente com a Segurança Social, e retiraram-me do inferno e levaram-me para o paraíso, uma família de acolhimento onde ainda permaneço.

Tudo parecia ter acalmado, até que um ano depois, eis que o meu pai e a tal mulher dele descobriram onde era a escola onde eu estava, escola primária na altura pois eu apenas tinha  anos, e tentaram ir lá para me raptarem, mas sem sucesso, pois na altura eu consegui fugir pela porta da cozinha da escola...
Mais tarde, conseguiram também descobrir onde eu estava a morar e foram lá também, ainda com o mesmo objectivo mas em minha casa ainda tiveram menos sorte... O meu pai ainda levou um folheto com brinquedos para me iludir com promessas mas, mesmo pequeno, já não fui na cantiga dele.

Uns anos mais tarde, o tribunal deu a oportunidade ao meu pai de poder ficar comigo, mas para isso ele tinha de deixar a mulher. O tribunal fez-lhe uma proposta irrecusável: ou ficava comigo e deixava a mulher, ou ficava com a mulher e nunca mais iria ver o filho. Em pleno tribunal eu fiquei á espera que ele desse uma resposta, até que ele respondeu aquilo que eu já estava á espera: "fico com a minha mulher". A partir desse momento ele ficou proibido de me ver e de se aproximar de mim.

Passados alguns anos, a minha família de acolhimento foi pela última vez a tribunal para decidir se queria continuar a tomar conta de mim ou não, resposta á qual a minha familia de acolhimento aceitou e aqui estou desde essa altura.

Estou feliz com quem estou e sei que o meu inferno já lá vai. Eu sei o que sofrem todas essas crianças pelo mundo fora, pois eu também já sofri isso na pele... Eu cheguei ao momento de pensar que eu já não saíria daquela casa vivo, pois a violência era de tal maneira grande que eu já pensava de tudo...

Quero apenas deixar aqui um agradecimento á vizinha que fez queixa na polícia, esteja onde estiver, e se ainda for viva, pois eu nunca mais tive contacto com essa senhora, um muito obrigado por me salvar do inferno!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Vítimas de maus tratos (números)

Mãe afoga criança de dois anos numa ribeira

Às autoridades, Sandra, 24 anos, terá confessado o crime, dizendo que estava cansada da vida e com um filho pequeno para criar, faltava-lhe tempo só para ela.
A mãe de Tiago estaria a viver há algum tempo com uma depressão e queria suicidar-se. Na noite de segunda-feira, depois de ter ido à casa da mãe buscar o filho e ao passar pela ponte do parque da Serra das Minas, Rio de Mouro – caminho que fazia todos os dias para ir para casa –, Sandra desceu as margens da ribeira e afogou Tiago. Mas a seguir, faltou-lhe a coragem e não se matou.
Durante todo o dia de terça-feira, Sandra esteve a ser interrogada pela Judiciária. Ao fim de longas horas de interrogatório, o seu depoimento começou por apresentar contradições e por fim cedeu. Presente ontem ao Tribunal de Sintra, onde esteve durante todo o dia a ser interrogada por um juiz, saiu para a cadeia de Tires.
Ao confessar o crime, Sandra deixou cair por terra a versão que tinha contado à família e às autoridades. Uma versão que falava em cinco encapuzados, que lhe terão arrancado a criança dos braços, dizendo que era "um recado para o pai do bebé", levantando assim a hipótese de um ajuste de contas, que teria como destinatário Sidney Fernandes, pai de Tiago.

A investigação da PJ depressa descartou a teoria de um ajuste de contas. O facto de o corpo do bebé não apresentar arranhões nem qualquer tipo de hematomas corroborou a convicção da polícia de que Sandra estaria envolvida na morte do próprio filho.
Manuel de Almeida mora na primeira casa a seguir à ponte do parque, onde se deu o crime. No dia a seguir à morte de Tiago disse que ouviu os gritos da mãe e que, quando chegou junto da ponte, ainda tinha visto cinco homens a fugir e que ouviu uma conversa de Sidney, pai do bebé, ao telemóvel.
Nesse mesmo dia, os amigos de Sandra contradiziam Manuel de Almeida, adiantando que "nunca" tinham visto tal testemunha no local na noite de segunda-feira.

Ontem, o sentimento dos amigos era de consternação e choque: "Estamos todos chocados e sem saber explicar o que se está a passar. Não sabemos o que dizer." No dia a seguir ao crime, todos defendiam a versão contada pela amiga. Sandra até tinha autorizado os amigos a falarem com o CM e explicarem o que se tinha passado.

A família de Sandra esteve todo o dia de ontem no Tribunal de Sintra. Filomena, avó de Tiago, lamentava-se dizendo :"Não percebo porque a minha filha está aqui. Ela já contou tudo à polícia". O avô, José, não escondendo o seu sofrimento, disse que "a morte do meu neto está a ser um grande sofrimento". Depois de se saber da prisão de Sandra, o sentimento no bairro era de choque e repúdio. "Até custa a acreditar. Pelo que ouvi, era uma miúda pacata", disse Liliana Ferreira. "A única versão em que acredito é que morreu um anjinho", lamentou Teresa Novo , a viver na zona há trinta anos.