sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O DN dá-nos mais indicações

Em 2010, a linha de ajuda do Instituto de Apoio à Criança recebeu uma média de dez denúncias diárias
Desde Janeiro e até agora, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) já recebeu na sua Linha SOS Criança 591 denúncias de situações de risco que afectam menores. O que equivale a uma média de dez chamadas por dia. A maioria dos casos diz respeito a problemas dentro da família, conforme reconhece o coordenador da Linha SOS Criança, Manuel Coutinho. Em segundo lugar estão os alertas relativos a maus tratos físicos e psicológicos em instituições, que são maioritariamente escolas ou centros de acolhimento. Num total de 18 chamadas, que incluem denúncias de bullying.
Assim, depois das situações detectadas no seio da família, é na escola que surge a maioria dos problemas que colocam as crianças em risco. As denúncias partem na sua maioria de adultos, que hoje em dia já "estão mais sensibilizados para esta problemática", adianta Manuel Coutinho.
Nos primeiros meses do ano, registaram-se ainda 67 apelos relativos a crianças em perigo. Ou seja, de casos de crianças maltratadas continuamente no seio familiar. Nestas situações, as vítimas "precisam de uma intervenção imediata", explica Manuel Coutinho. Mais numerosas são as queixas de negligência. Em pouco mais de dois meses, a SOS Criança registou 69 chamadas neste âmbito.
Também em 2009 as situações de negligência e crianças em perigo foram as mais comuns. No primeiro caso houve 385 denúncias e no segundo 509. No total, a linha de apoio, que é gratuita e anónima, recebeu 4154 chamadas nesse ano. Os casos de violência física e psicológica em instituições, que englobam tanto problemas entre crianças como de professores/educadores contra alunos, registaram 54 denúncias.
O número de apelos que chegam à Linha do IAC não têm variado muito ao longo dos anos. Desde que foi criada em 1988 que a média de chamadas anuais se tem situado nas 4000. No entanto, existem diferenças no número de chamadas durante a semana. "À segunda-feira há um maior número de apelos e à sexta-feira há menos", refere o coordenador da Linha.
Depois do apelo feito à SOS Criança, os técnicos recolhem todas as informações relativas à situação concreta e encaminham todo o processo para as autoridades competentes. "Só depois de se fazer um diagnóstico sobre a situação é que esta é sinalizada para as estruturas competentes", acrescenta Manuel Coutinho.
Nestes primeiros meses do ano houve ainda 13 apelos relativos a crianças desaparecidas, 14 de abuso sexual e três denúncias de pedofilia. Além destas situações mais problemáticas, existem também muitas chamadas de crianças e adultos que procuram apenas aconselhamento.
Por exemplo, registaram-se 78 chamadas de pessoas que apenas queriam falar com alguém e 25 que queriam informações sobre o serviço ou outras situações. Estes pedidos também fazem parte da missão da SOS Criança, lembra Manuel Coutinho. "Este é um serviço que directa ou indirectamente dá voz à criança. Todas deviam ter o número da SOS sempre consigo", acrescenta o psicólogo.


Texto do Jornal DN do dia 11 de Março de 2010

Os dados dizem tudo

Portugal ocupou, em 2004, o primeiro lugar nos casos de maus-tratos a crianças com consequências mortais, numa lista de 27 países industrializados. Segundo a UNICEF, anualmente, em cada cem mil crianças com menos de 15 anos, 3,7 morrem vítimas de negligência ou maus tratos em Portugal.


ESPANCADA E VIOLADA PELO PAI: FÁTIMA L. - AGORA COM UM ANO

Com mês e meio foi hospitalizada: hemorragias internas, fractura craniana e lesões no ânus e noutras partes do corpo. Foi, alegadamente, espancada e violada pelo pai, indiciado, como a mãe, por crimes de maus tratos e abuso sexual. Aguardam julgamento na prisão. Vai ficar com lesões nos olhos.

MORTA PELO PAI E PELA MADRASTA: CATARINA - DOIS ANOS E MEIO

A 18 de Outubro de 2003, Catarina, de dois anos e meio, que voltara a casa há dois meses por decisão da Comissão de Protecção de Menores de Gaia, foi encontrada morta com sinais de violência. O pai e a madrasta foram condenados a 14 anos de prisão. Na campa, Tânia, a mãe, deixou-lhe um bilhete: “Nunca soubeste o que era o amor dos pais. Não te fazem mais mal.”

QUEIMADA COM UM FERRO E COM ÁGUA: VANESSA - CINCO ANOS

Vanessa foi queimada com um ferro, mergulhada em banhos alternados de água a ferver e gelada e esteve mais de 24 horas sem comer antes de morrer, a 30 de Abril de 2005, no Bairro do Aleixo, no Porto. O corpo foi atirado ao Rio Douro. O pai e a avó foram condenados a 14 e 18 anos.

FOI ABUSADA E ESPANCADA: ANGELINA - DOIS ANOS

A menina ucraniana, filha de pais separados, vivia com a mãe e o namorado desta, em Albufeira. Foi abusada sexualmente e sofreu traumatismos que lhe causaram a morte. Robi, irmão do namorado da mãe, é o suspeito da morte. Depois de a violar, levou-a ao Centro de Saúde de Albufeira. Foi transferida para Faro. A autópsia mostra que Angelina sofreu pancadas violentas no abdómen.

AMA E MARIDO NÃO SUPORTARAM CHORO: YURI - TRÊS ANOS

Filho de imigrantes brasileiros, morreu vítima da violência de uma ama ilegal e do seu marido, em Almada. Terá sido agredido pelos dois adultos, que não tiveram paciência para lidar com o choro compulsivo. Operado, Yuri não resistiu aos ferimentos e morreu cinco dias depois, por falência do fígado e do baço. O Tribunal do Seixal ordenou a prisão preventiva do casal.


ENCONTRADA NO QUARTO DO SUSPEITO: MÓNICA - 12 ANOS

Mónica estava internada num lar mas saiu por um dia para visitar a família. Disse que ia jantar com uma amiga e não voltou a casa. Foi encontrada morta num apartamento do Barreiro, em Maio de 2006, no quarto do suspeito do crime, um homem que teria um relacionamento com a sua mãe.


DESIDRATADA E COM PESO MUITO BAIXA: ANA SOFIA COM 14 MESES

A bebé, de seis meses, foi internada no Hospital Amadora-Sintra por maus tratos. Estava desidratada e com baixo peso. As agressões causaram-lhe um traumatismo craniano e escoriações na perna. O caso foi entregue ao Departamento de Investigação e Acção Penal de Sintra. Os pais da menina, Sandra e Paulo Cruz, foram apontados com os principais suspeitos.

AGREDIDA E ESQUARTEJADA: JOANA - OITO ANOS

Joana, de oito anos, foi agredida até à morte pela mãe, Leonor, e pelo tio materno, João. O crime ocorreu em Figueira, Portimão, em Setembro de 2004. O corpo, que terá sido esquartejado, nunca apareceu. Em Novembro de 2005, os irmãos foram condenados a 19 e 20 anos de prisão.
Recorde-se que Gonçalo Amaral é um dos responsáveis da investigação do "caso Madeleine McCann", a menina britânica desaparecida há alguns anos na Praia da Luz, perto de Lagos.


MAIS CEM CASOS

Em cada dois dias, uma criança portuguesa é vítima de maus tratos. Os dados, referentes a Dezembro de 2005, resultam de um estudo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Já em 2006, a associação revelou que perto de uma centena de crianças foi vítima de maus tratos no primeiro trimestre do ano.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Exemplos que todos podemos evitar...














Boas vindas

Eu como vítima de maus tratos por parte dos meus próprios pais quando era criança, venho agora  criar este blog de apoio a todas as crianças que pretendam desabafar sobre esse tema...